Os números continuam
aumentando. Os jornais contam casos e cadáveres. As ruas começaram a ficar
desertas. Profissionais da saúde correm contra o tempo. Muitos estão morrendo.
Na solidão do isolamento releio “A borboleta e o tanque”, de Hemingway. A
intolerância que conduz a narrativa angustia. Faz tempo perdemos nossa humanidade, penso. Sobre a pandemia, as piadas e os memes já começam a desaparecer. Triste, a alegria se recolhe. Por quanto tempo
ficará reclusa? Sabe-se lá.
Hoje ouvimos música e vestimos nossa filha de bailarina. Ao entretê-la, lembrei daquele pai que, na
Síria, em meio a bombardeios diários, ria de cada bomba que caia, fazendo sua filha se divertir e
esquecer o terror que ocorria (ainda ocorre) ali. Apenas lembro, pois qualquer
tentativa de comparação seria impossível. Ambos, pai e filha , conseguiram sair
do inferno e foram recebidos pela Turquia.
As bobagens que a
Internet traz acabam por tornar nossos dias mais leves. Temos rido muito. E
isso é muito bom, pois espanta os males e as dores, como quando cantamos. Por
outro lado, a Internet também nos traz as piores notícias do mundo. Tais
notícias adoecem nossos corações e nossas mentes. Porém, não há como
ignorá-las. E assim, vamos lendo sobre aqueles que salvam vidas, bem como
aqueles que ajudam aos mais necessitados.
A esses, chamo de belos. Do outro lado, há aqueles que não demonstram nenhuma
empatia pelo próximo, querem, não importa como, abrir suas lojas e lucrar,
lucrar e lucrar. São os malditos. Será que um dia esse país terá alguma
decência? Ainda há rosas capazes de florescer no asfalto?
Como país, seguimos à
deriva. Há doentes e mortos. Há polícia e tiroteio na favela, onde deveria
haver médicos e dignidade. Um menino foi morto pela polícia, que sequestrou seu
corpo. Em meio a tanto caos, a morte de uma criança dilacera o coração de
qualquer pessoa que ainda não se permitiu bestializar-se. João Pedro era um
menino negro, belo. João Pedro entrou para as estatísticas como mais um menino
negro assassinado pela polícia (God damn it!) que é paga para servir e proteger.
O Brasil está à deriva. Não há projetos que objetivem melhorias para a população. Há projetos pessoais de poder. Há o avanço do fascismo. Ao Coronavírus, isso pouco interessa. A morte bate à porta. Todo dia o Brasil é morto por um tiro de fuzil. E assim, seguimos abrindo covas e mais covas até que consigamos, um dia, abrir uma tão grande que caiba o Brasil e possamos, finalmente, descansar em paz.
O Brasil está à deriva. Não há projetos que objetivem melhorias para a população. Há projetos pessoais de poder. Há o avanço do fascismo. Ao Coronavírus, isso pouco interessa. A morte bate à porta. Todo dia o Brasil é morto por um tiro de fuzil. E assim, seguimos abrindo covas e mais covas até que consigamos, um dia, abrir uma tão grande que caiba o Brasil e possamos, finalmente, descansar em paz.
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